Quem ama seus pets sabe que a saúde deles vai muito além de uma simples visita anual ao veterinário. Entre as condições mais comuns que afetam cães e gatos, a sarna merece atenção especial, principalmente por seu potencial de causar intenso desconforto e por ser altamente contagiosa em muitos casos.
A sarna é uma condição dermatológica que afeta milhares de animais anualmente no Brasil. Apesar de ser tratável, quando não identificada a tempo, pode levar a complicações sérias e prolongar o sofrimento do seu companheiro de quatro patas. Reconhecer os primeiros sinais e agir rapidamente pode fazer toda a diferença na recuperação do seu pet.
O que é sarna e por que ela ocorre em cães e gatos
A sarna é uma infestação causada por minúsculos ácaros parasitas que se alojam na pele ou nos folículos pilosos dos animais. Estes parasitas, quase invisíveis a olho nu, podem proliferar rapidamente e causar intenso desconforto quando encontram condições favoráveis.
Existem diferentes tipos de sarna que afetam nossos pets, cada um com características próprias:
- Sarna sarcóptica (escabiose): Causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, é extremamente contagiosa, inclusive para humanos. Este tipo provoca coceira intensa e pode afetar diversas partes do corpo do animal.
- Sarna demodécica: Provocada pelo ácaro Demodex canis (em cães) ou Demodex cati (em gatos), costuma afetar animais com sistema imunológico comprometido. Diferente da sarcóptica, não é considerada contagiosa entre animais ou para humanos.
- Sarna notoédrica: Mais comum em gatos, é causada pelo ácaro Notoedres cati e afeta principalmente a região da cabeça e orelhas.
- Sarna otodécica: Também conhecida como sarna de ouvido, é provocada pelo ácaro Otodectes cynotis e afeta o canal auditivo de cães e gatos, sendo mais frequente em felinos.
Os animais se tornam mais vulneráveis à sarna por diversos fatores, como baixa imunidade, estresse, má nutrição, condições inadequadas de higiene ou contato com ambientes contaminados. Filhotes, idosos e animais com doenças pré-existentes costumam ser os mais suscetíveis.
Sinais e sintomas a observar
Identificar a sarna precocemente é crucial para um tratamento eficaz e para evitar o sofrimento prolongado do animal. Os principais sinais incluem:
- Coceira intensa e persistente, muitas vezes levando o animal a se coçar até ferir a pele
- Lambedura excessiva em áreas específicas
- Vermelhidão e inflamação da pele
- Formação de crostas e escamas
- Queda de pelo, criando áreas calvas
- Espessamento e enrugamento da pele em casos mais avançados
- Inquietação e irritabilidade devido ao desconforto constante
As localizações mais comuns variam conforme o tipo de sarna. A sarcóptica frequentemente começa nas orelhas, cotovelos e barriga, enquanto a demodécica costuma afetar inicialmente a face, patas dianteiras e área ao redor dos olhos. Em gatos, a sarna notoédrica normalmente começa nas bordas das orelhas, face e pescoço.
Embora os sintomas sejam semelhantes, os gatos tendem a esconder mais o desconforto, o que pode dificultar a detecção precoce. Já os cães geralmente demonstram mais claramente os sinais de coceira e desconforto.
Como diagnosticar e quando procurar o veterinário
Se você notar qualquer sinal suspeito no seu pet, não hesite em consultar um médico veterinário. O diagnóstico profissional é fundamental para determinar o tipo específico de sarna e o tratamento adequado.
O principal método diagnóstico é o raspado de pele, exame relativamente simples em que o veterinário coleta amostras da pele afetada para análise microscópica. Este procedimento permite identificar os ácaros causadores e confirmar o tipo de sarna.
Em alguns casos, podem ser necessários exames complementares, como biópsia de pele, cultura fúngica ou testes sanguíneos, especialmente quando há suspeita de problemas imunológicos subjacentes ou infecções secundárias.
É importante não postergar a consulta veterinária ao notar os primeiros sinais. O diagnóstico precoce não só alivia o sofrimento do animal mais rapidamente, como também reduz o risco de complicações e transmissão para outros animais ou para humanos, no caso da sarna sarcóptica.
Prevenção: rotina e ambiente
A prevenção da sarna envolve cuidados contínuos com o animal e com o ambiente em que ele vive:
Higiene adequada Manter a limpeza regular do pet com produtos recomendados pelo veterinário é fundamental. Porém, o excesso de banhos pode ser prejudicial, removendo a proteção natural da pele e tornando-a mais vulnerável.
Antiparasitários preventivos O uso regular de antiparasitários adequados, sempre sob orientação veterinária, é uma das formas mais eficazes de prevenção. Existem opções em diversas apresentações: comprimidos, pipetas, coleiras e sprays.
Alimentação balanceada Uma dieta de qualidade fortalece o sistema imunológico, tornando o animal menos suscetível a infestações parasitárias. Alimentos premium, ricos em nutrientes essenciais e ômega 3 e 6, contribuem para a saúde da pele e pelos.
Ambiente limpo A higienização regular dos locais onde o animal dorme e frequenta é essencial. Lave periodicamente camas, cobertores e brinquedos com água quente e detergente neutro.
Controle de contato Evite que seu pet tenha contato com animais desconhecidos ou visivelmente doentes, especialmente em áreas públicas como parques e praças.
Visitas regulares ao veterinário Check-ups periódicos podem identificar problemas de pele nos estágios iniciais, antes mesmo que os sintomas se tornem evidentes.

Tratamento: passos práticos
Quando a sarna é diagnosticada, o tratamento deve ser iniciado imediatamente e seguido rigorosamente:
Medicamentos específicos O veterinário pode prescrever antiparasitários orais, injetáveis ou tópicos, dependendo do tipo de sarna e da condição geral do animal. Produtos como selamectina, ivermectina, moxidectina e fluralaner são comumente utilizados, sempre sob prescrição profissional.
Banhos terapêuticos Shampoos medicamentosos específicos ajudam a eliminar os parasitas e aliviar os sintomas. A frequência e o tipo de produto dependem da recomendação veterinária.
Antibióticos e anti-inflamatórios Em casos com infecções secundárias ou inflamação intensa, podem ser necessários antibióticos e medicamentos anti-inflamatórios para controlar complicações.
Limpeza do ambiente Simultaneamente ao tratamento do animal, é essencial desinfectar todo o ambiente:
- Lave roupas de cama, brinquedos e acessórios com água quente
- Aspire carpetes, sofás e cantos da casa diariamente durante o tratamento
- Em casos graves, considere o uso de acaricidas ambientais recomendados pelo veterinário
Isolamento quando necessário Em casos de sarna contagiosa, pode ser necessário isolar temporariamente o animal doente para evitar a transmissão para outros pets ou humanos.
Considerações especiais: casos graves e acompanhamento
Alguns animais requerem atenção especial durante o tratamento da sarna:
Pets imunossuprimidos Animais com sistema imunológico comprometido, como idosos, filhotes muito jovens ou aqueles com doenças crônicas, podem apresentar manifestações mais severas e precisar de tratamentos prolongados.
Infecções secundárias A coceira intensa pode levar a feridas que se infectam secundariamente por bactérias. Nesses casos, o tratamento deve abordar tanto a sarna quanto a infecção bacteriana.
Duração e acompanhamento É fundamental completar todo o ciclo de tratamento prescrito, mesmo que os sintomas desapareçam antes. Consultas de retorno são essenciais para confirmar a eliminação completa dos ácaros e evitar recidivas.
Monitoramento contínuo Mesmo após a cura, mantenha-se atento a sinais de recorrência, especialmente nas primeiras semanas após o término do tratamento.
Conclusão
A sarna em cães e gatos é uma condição tratável que, quando identificada e abordada precocemente, tem excelente prognóstico. A chave está na vigilância constante e na ação rápida ao notar os primeiros sinais.
Como tutores responsáveis, devemos estar atentos à saúde da pele de nossos pets, mantendo uma rotina de cuidados preventivos e não hesitando em buscar ajuda veterinária quando necessário. Lembre-se: seu pet depende de você para seu bem-estar e qualidade de vida.
A prevenção é sempre o caminho mais fácil e menos doloroso tanto para o animal quanto para a família. Investir em consultas regulares, alimentação de qualidade e produtos preventivos adequados é muito mais eficiente que lidar com um quadro estabelecido de sarna.
Perguntas frequentes
A sarna pode passar para humanos? A sarna sarcóptica pode sim afetar humanos, causando uma condição transitória com coceira e irritação na pele. As outras formas de sarna que afetam pets geralmente não são transmissíveis para pessoas.
Quanto tempo dura o tratamento normalmente? A duração varia conforme o tipo de sarna e a gravidade do caso. Tratamentos típicos podem durar de 4 a 8 semanas, mas alguns casos mais complexos podem exigir intervenções mais longas.
Meu outro pet precisa de tratamento mesmo sem sinais? Em casos de sarna contagiosa, como a sarcóptica, é frequentemente recomendado tratar preventivamente todos os animais que convivem juntos, mesmo aqueles que ainda não apresentam sintomas.
