O verão brasileiro traz consigo aqueles dias escaldantes que todos conhecemos bem. Enquanto nós, humanos, suamos e buscamos refrescos, nossos pets enfrentam desafios ainda maiores. Cães e gatos possuem mecanismos de regulação térmica muito diferentes dos nossos, o que os torna extremamente vulneráveis às altas temperaturas.
Um cachorro, por exemplo, depende quase exclusivamente do ofego (respiração pela boca) para liberar calor, enquanto gatos têm limitações semelhantes. Essa característica biológica transforma dias quentes em verdadeiros testes de resistência para nossos amigos de quatro patas.
“A temperatura corporal normal de um cão varia entre 38°C e 39°C, já acima da nossa”, explica a médica veterinária Dra. Mariana Santos. “Quando o ambiente está muito quente, eles precisam trabalhar dobrado para manter o equilíbrio térmico, o que pode ser extenuante.”
Riscos Que o Calor Traz Para os Pets
Insolação e Superaquecimento
A insolação em animais domésticos não é apenas desconfortável – é uma emergência médica. Diferente de nós, cães e gatos não têm glândulas sudoríparas distribuídas pelo corpo. Quando a temperatura corporal ultrapassa 41°C, órgãos começam a sofrer danos que podem ser irreversíveis.
Pets de pelo longo, idosos, filhotes, obesos ou com doenças respiratórias prévias formam o grupo de risco para o superaquecimento. Um dado alarmante: nas ondas de calor intenso, os atendimentos veterinários emergenciais aumentam em até 30%.
Desidratação Silenciosa
A perda excessiva de líquidos afeta rapidamente a saúde do seu animal de estimação. A desidratação compromete a função renal, reduz a elasticidade da pele e pode levar à letargia.
Um teste simples para verificar a hidratação do seu pet é o da “elasticidade cutânea”: puxe gentilmente a pele das costas do animal – ela deve retornar imediatamente à posição normal. Se demorar para voltar, é sinal de desidratação.
Queimaduras nas Patas: O Perigo Invisível
As almofadas das patas dos pets são sensíveis e vulneráveis. Um asfalto a 50°C – temperatura facilmente atingida em dias ensolarados – pode causar queimaduras em apenas 60 segundos de contato.
“Vi casos de cachorros com queimaduras de segundo grau nas patas após passeios curtos em calçadas quentes”, relata o veterinário Dr. Carlos Mendes. “Muitos tutores não percebem que o que é apenas quente para nós, usando calçados, pode ser devastador para as patas desprotegidas dos animais.”
Agravamento de Condições Pré-existentes
Raças braquicefálicas como Pugs, Bulldogs e gatos Persas merecem atenção redobrada. Suas características anatômicas – focinho curto e vias aéreas comprimidas – já dificultam a respiração em condições normais. No calor, esse problema se intensifica drasticamente.
Animais com doenças cardíacas também sofrem mais no calor, já que o coração precisa trabalhar mais para ajudar na termorregulação. Um estudo da Universidade Federal do Paraná apontou que pets cardiopatas têm 40% mais chances de apresentar crises em dias de temperatura elevada.

Medidas Preventivas Para o Dia a Dia
Hidratação Constante: A Base da Prevenção
A água fresca deve ser a prioridade número um nos cuidados com seu pet no calor. Algumas estratégias eficazes incluem:
- Distribuir várias tigelas de água pela casa, aumentando o acesso
- Adicionar cubos de gelo à água para mantê-la refrescante por mais tempo
- Investir em fontes de água circulante, especialmente para gatos, que preferem água em movimento
- Levar sempre água em passeios, mesmo que curtos
Alguns tutores adicionam um pouco de água na ração seca, aumentando a ingestão de líquidos. Esta estratégia funciona principalmente para cães, que tendem a ser menos seletivos que os felinos.
Horários Estratégicos para Passeios
O manejo dos passeios com cães precisa ser adaptado nas épocas quentes:
- Programe as saídas para antes das 9h da manhã ou depois das 18h
- Use a “regra da palma”: pressione sua mão contra o asfalto por 5 segundos; se for desconfortável para você, será perigoso para seu pet
- Opte por caminhar na grama ou na sombra sempre que possível
- Considere o uso de botinhas protetoras para raças sensíveis ou idosos
Ambiente Fresco: Um Refúgio do Calor
Criar zonas de conforto térmico em casa é fundamental para o bem-estar do seu animal de estimação:
- Mantenha janelas estratégicas abertas para circulação de ar
- Use ventiladores, mas nunca direcionados diretamente ao animal
- Tapetes refrigerantes ou “camas geladas” proporcionam alívio imediato
- Se usar ar-condicionado, mantenha-o em temperatura moderada (24-26°C) para evitar choque térmico
Uma dica pouco conhecida: panos úmidos colocados sobre superfícies elevadas (nunca diretamente sobre o animal) ajudam a refrescar o ambiente por evaporação.
Ajustes na Alimentação e Atividades
Alimentação Adaptada ao Calor
Durante períodos quentes, seu pet pode apresentar mudanças no apetite:
- Ofereça refeições menores e mais frequentes, em vez de uma ou duas grandes porções
- Alimente-os nas horas mais frescas do dia – início da manhã ou final da tarde
- Considere rações úmidas, que contribuem para a hidratação
- Mantenha a comida fresca, trocando-a com mais frequência para evitar deterioração
Brincadeiras Refrescantes: Diversão Segura
Manter seu animal de estimação ativo sem causar estresse térmico requer criatividade:
- Brinquedos congelados recheados com petiscos de baixa caloria
- Piscinas infantis rasas para cães que gostam de água
- Jogos mentais dentro de casa, que estimulam sem exigir esforço físico
- Sessões curtas de brincadeiras nas horas mais frescas
Moderação nas Atividades Físicas
A empolgação do seu cachorro para brincar pode mascarar sinais de cansaço pelo calor:
- Limite exercícios intensos como corridas e brincadeiras de buscar
- Faça pausas frequentes, mesmo que o animal pareça disposto a continuar
- Observe sinais de fadiga: ofegação intensa, língua muito estendida, salivação excessiva
- Pets idosos ou com sobrepeso precisam de atenção redobrada
Sinais de Alerta — Quando Procurar o Veterinário
Reconhecer uma emergência relacionada ao calor pode salvar a vida do seu pet. Busque atendimento veterinário imediato se notar:
- Ofegação excessiva que não melhora mesmo em ambiente fresco
- Gengivas ou língua em tom vermelho intenso ou arroxeado
- Vômitos, diarreia ou desorientação
- Fraqueza extrema ou colapso
- Temperatura retal acima de 40°C
“Nunca subestime a gravidade da hipertermia em pets”, alerta a Dra. Laura Campos, especialista em medicina veterinária de emergência. “Minutos podem fazer diferença entre uma recuperação completa e sequelas permanentes.”

Conclusão
Os dias quentes exigem muito mais do que simplesmente ligar o ventilador. Cuidar adequadamente do seu pet no calor significa estar atento aos pequenos detalhes e fazer ajustes preventivos na rotina. Com hidratação constante, ambiente adequado e monitoramento atento, você protege seu melhor amigo dos perigos invisíveis das altas temperaturas.
Lembre-se: seu animal de estimação depende totalmente de você para se manter seguro e confortável. As adaptações necessárias são simples, mas fazem toda diferença na qualidade de vida e na saúde dos nossos companheiros de quatro patas durante os meses mais quentes do ano.
Perguntas Frequentes
Qual a temperatura limite para sair com o pet? Evite passeios quando o termômetro marcar acima de 30°C, especialmente em superfícies como asfalto ou concreto expostos ao sol.
Posso tosar completamente o pelo do meu animal no verão? Não é recomendado. O pelo tem função protetora contra radiação solar e regulação térmica. Prefira uma tosa higiênica e escovação regular para remover subpelos.
É melhor usar ventilador ou ar-condicionado para refrescar meu pet? Ambos podem ser usados com moderação. O importante é evitar correntes de ar diretas e mudanças bruscas de temperatura, que podem causar problemas respiratórios.
