Imagine a cena: você está em um passeio tranquilo com seu cachorro pelo parque ou observando seu gato brincar pela casa quando, de repente, nota algo diferente. Aquele andar descontraído dá lugar a um movimento irregular, e seu pet começa a mancar. O coração aperta, a preocupação surge. Esse cenário é mais comum do que imaginamos na vida de tutores de cães e gatos.
A claudicação em animais de estimação pode variar de um leve desconforto a um problema mais sério que demande atenção veterinária imediata. Compreender por que isso acontece e como agir é fundamental para garantir o bem-estar do seu companheiro peludo e evitar que um problema pequeno se transforme em algo mais grave.
O que é “mancar” e como o pet demonstra isso
O mancar, tecnicamente conhecido como claudicação, é caracterizado pela dificuldade ou irregularidade ao caminhar. É a forma que nossos pets têm de comunicar que algo está causando desconforto ou dor durante a movimentação. Observar atentamente como seu animal se comporta é o primeiro passo para identificar o problema.
Em cães, a claudicação geralmente se manifesta quando o animal evita apoiar completamente uma das patas no chão, alterando seu padrão natural de caminhada. Já em gatos, que são mestres em disfarçar desconforto, os sinais podem ser mais sutis, como uma leve assimetria ao andar ou uma diminuição nos saltos que normalmente realizam.
Os animais também demonstram outros sinais comportamentais que acompanham o mancar: hesitação ao se levantar ou deitar, lambedura excessiva da área afetada (especialmente em articulações ou patas), diminuição da atividade física habitual, e até mudanças de temperamento devido à dor. Alguns pets podem até choramingar quando a área afetada é tocada, um sinal claro de que algo não está bem.
Causas comuns em cães e gatos
As razões para um pet mancar são diversas e variam desde questões simples até condições que exigem intervenção médica mais complexa. Conhecer as causas mais frequentes ajuda a orientar sua observação e ação.
Traumas e ferimentos nas patas
Uma das causas mais comuns de claudicação são os pequenos traumas sofridos durante atividades cotidianas. Cortes nas almofadas plantares, unhas quebradas ou tortas, ou até mesmo objetos estranhos (como espinhos, cacos de vidro ou pequenas pedras) alojados entre os dedos podem provocar desconforto significativo.
Para os gatos que têm acesso à rua, ferimentos decorrentes de brigas com outros felinos também são causas frequentes de mancar, especialmente quando desenvolvem abscessos nas patas ou membros. Nesses casos, é comum notar inchaço localizado além da claudicação.
Lesões musculoesqueléticas
Torções, luxações e fraturas representam outra categoria importante de causas. Cães mais ativos ou que realizam atividades de impacto estão particularmente suscetíveis a essas lesões. Um salto mal calculado do sofá, uma corrida intensa no parque ou uma queda podem resultar em danos aos ligamentos, tendões ou até mesmo ossos.
A luxação de patela, por exemplo, é comum em raças pequenas de cães, enquanto a ruptura do ligamento cruzado anterior aparece com maior frequência em raças médias e grandes. Nos gatos, principalmente os que têm acesso a alturas, quedas podem resultar em fraturas que nem sempre são evidentes à primeira vista.
Doenças articulares e ósseas
Condições como artrite, artrose e displasia são causas frequentes de claudicação, principalmente em animais mais velhos ou de determinadas raças predispostas. A displasia coxofemoral, por exemplo, afeta com maior incidência cães de raças grandes como Labrador, Pastor Alemão e Golden Retriever, mas pode aparecer em qualquer raça.
Nos gatos, especialmente os mais idosos, a osteoartrite é uma condição subdiagnosticada que provoca mancar intermitente, geralmente mais perceptível após períodos de descanso prolongado. Com o tempo, essas condições tendem a piorar progressivamente se não receberem o tratamento adequado.
Infecções e problemas inflamatórios
Processos infecciosos também podem causar claudicação. Em gatos, abscessos resultantes de mordidas são particularmente comuns e podem causar febre e prostração além do mancar. Já em cães, a panosteíte (inflamação da medula óssea) afeta principalmente filhotes e cães jovens de raças grandes, causando dor e claudicação que pode alternar entre diferentes membros.

Diagnóstico: o que o tutor pode observar e quando buscar veterinário
Como tutor atento, você pode realizar uma avaliação inicial para identificar possíveis causas do problema antes de buscar ajuda profissional. Inspecione cuidadosamente as patas do seu pet, verificando almofadas plantares em busca de cortes, rachaduras ou objetos estranhos. Examine também as unhas quanto a quebras ou rachaduras.
Observe o ambiente onde seu animal circula: houve mudança recente no piso? Seu pet teve acesso a áreas com superfícies irregulares ou potencialmente perigosas? Fez algum movimento brusco ou queda recente? Estas informações serão valiosas para o diagnóstico veterinário.
Alguns sinais exigem atenção veterinária imediata:
- Incapacidade total de apoiar o membro no chão
- Inchaço significativo ou deformidade visível
- Dor intensa manifestada por choro ou agressividade ao toque
- Claudicação associada a outros sintomas como febre, apatia ou perda de apetite
- Mancar que persiste por mais de 24-48 horas, mesmo que pareça leve
Cuidados iniciais em casa enquanto espera atendimento
Enquanto se prepara para levar seu pet ao veterinário, alguns cuidados podem ser tomados em casa para minimizar o desconforto:
O repouso é fundamental. Limite ao máximo a atividade física do seu animal, evitando passeios longos, corridas ou saltos. Para cães, passeios curtos apenas para necessidades fisiológicas são recomendados, preferencialmente utilizando guia curta para maior controle.
Evite manipular excessivamente a área afetada, especialmente se houver suspeita de fratura. A contenção inadequada pode agravar a lesão. Mantenha seu pet em ambiente calmo e confortável, restringindo o acesso a escadas e móveis altos para evitar saltos.
Nunca medique seu animal por conta própria. Muitos medicamentos humanos são tóxicos para cães e gatos, e mesmo remédios veterinários precisam de prescrição específica quanto à dosagem e indicação.
Tratamentos veterinários e plano de recuperação
Após avaliação profissional, o tratamento será determinado conforme a causa identificada. Entre as possíveis abordagens estão:
- Anti-inflamatórios e analgésicos para controle da dor e inflamação
- Antibióticos em casos de infecções
- Imobilização temporária em fraturas ou luxações
- Intervenções cirúrgicas para casos mais graves como ruptura de ligamentos ou fraturas complexas
- Fisioterapia e reabilitação para recuperar a função normal do membro
O plano de recuperação pode variar de dias a meses, dependendo da gravidade do problema. Durante este período, seu veterinário poderá recomendar adaptações na rotina do animal, como controle de peso, modificações na alimentação e exercícios específicos de fortalecimento muscular.
Conclusão
O mancar em pets é um sinal que não deve ser ignorado, pois pode indicar desde um incômodo temporário até condições que requerem intervenção rápida. Como tutor responsável, sua atenção aos detalhes e resposta adequada fazem toda diferença na recuperação e bem-estar do seu animal.
Lembre-se que cada pet é único, e a mesma condição pode se manifestar de maneiras diferentes em animais distintos. A observação constante dos hábitos do seu companheiro e o vínculo estabelecido entre vocês são ferramentas poderosas para identificar precocemente qualquer alteração.
Estar preparado, saber o que observar e quando buscar ajuda profissional é parte fundamental do cuidado que oferecemos aos nossos amigos de quatro patas, garantindo não apenas tratamento adequado quando necessário, mas também prevenindo complicações futuras.

FAQs
Meu pet mancou só por um dia — posso esperar?
Claudicações leves e passageiras, que desaparecem completamente em 24 horas e não estão associadas a outros sintomas, geralmente não são motivo de grande preocupação. No entanto, caso o mancar retorne com frequência, mesmo que por períodos curtos, é recomendável investigar a causa subjacente com seu veterinário.
Esse mancar sempre significa algo grave?
Nem sempre. Assim como humanos ocasionalmente pisam em falso ou sentem desconfortos temporários, pets também podem apresentar claudicação por razões simples e passageiras. No entanto, mesmo problemas inicialmente leves podem evoluir para condições mais sérias se não forem adequadamente avaliados e tratados.
Como prevenir que isso aconteça de novo?
A prevenção passa por cuidados regulares como manter as unhas adequadamente aparadas, inspecionar as patas após passeios, oferecer superfícies adequadas para caminhada, controlar o peso do animal e realizar check-ups veterinários periódicos. Para cães de raças predispostas a problemas articulares, suplementos específicos podem ser recomendados preventivamente.
